Invertebrados marinhos DA BAHIA

COMPILAÇÃO DE INFORMAÇÕES

O termo invertebrados refere-se ao conjunto de todos os animais não-vertebrados. Trata-se de um grupo artificial, sem qualquer validade taxonômica, sendo apenas uma designação de cunho prático, consagrada em livros didáticos. Compreende atualmente 34 filos animais, sendo que 33 apresentam representantes em ambientes aquáticos. A maioria destes (32) ocorre principalmente, nos mares e oceanos, havendo 18 filos com representantes exclusivamente marinhos e cinco predominantemente marinhos. São, de forma geral, pouco ou não estudados, sendo consenso entre os pesquisadores que existe ainda um grande número de espécies não descritas, para citar apenas o aspecto taxonômico. Mesmo em regiões e ambientes considerados como bem conhecidos, ocorre o encontro recente de táxons superiores, incluindo novos filos. Extensas regiões costeiras e oceânicas permanecem praticamente desconhecidas e o número de especialistas é ainda muito pequeno em relação ao mínimo necessário.

 

O estudo do ambiente aquático na Bahia é relativamente recente. A sua área costeira é uma das menos estudadas do mundo quanto à fauna marinha, não havendo sequer o registro de uma única espécie de vários filos, como Cycliophora, Loricifera, Acanthocephala, Placozoa, Mesozoa e Pogonophora. Alguns outros são quase que completamente negligenciados, como Ectoprocta (=Bryozoa), Ctenophora, Platyhelminthes, Priapula, Tardigrada e Brachiopoda, inclusive alguns de extrema importância ecológica, como Nematoda.

 

Espécies potencialmente indicadoras de perturbações ambientais incluem-se em quase todos os grupos. Embora poucos sejam os táxons utilizados diretamente como fonte de alimento na Bahia (Mollusca, Crustacea e, em baixíssima escala, Echinodermata), quase todos são itens importantes na dieta de organismos explorados economicamente, como peixes e crustáceos. Os grupos com representantes peçonhentos ou venenosos e parasitos podem causar problemas de saúde pública e prejuízos em atividades de cultivo. Impactos econômicos negativos são também atribuídos à atividade de espécies componentes das incrustações em estruturas e embarcações. Muitos táxons são extremamente importantes na produção de fármacos, como por exemplo o Filo Porifera - atualmente considerado como um dos grupos mais promissores em pesquisas na área de produtos naturais.

 

O número de espécies registradas, tanto para águas continentais quanto para a costa da Bahia está bastante aquém do esperado considerando a sua área e diversidade de sistemas. É difícil estimar o número total de espécies que ocorrem efetivamente devido à escassez de estudos faunísticos e taxonômicos, sendo poucos são os biótopos com bom grau de coleta e de conhecimento. Mesmo para o caso de grupos relativamente bem estudados, inexistem, via de regra, listas faunísticas, chaves de identificação, guias de coleta e identificação, e livros didáticos sobre a fauna brasileira.